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Projeto Amapá
Conquistando almas em solo pátrio
Coisas que eu não sabia.
Quando se fala da obra de Deus praticamente tudo nos impressiona.
E para mim, em particular, o projeto Amapá era como os demais. Eu o conhecia simplesmente
através de relatórios que recebemos de nossos missionários.
Como nossa igreja em Camboriú é o berço de missões no Brasil vinham missionários de
lá e falavam sobre o assunto. Algumas coisas se tornam fantásticas quando nós fazemos
parte dela, e foi exatamente isso que aconteceu com o Projeto Amapá em minha vida.
No final do de 2004 surgiu a oportunidade de ir àquele Estado, junto com o irmão
Alexandre Bernardino, quando fomos convidados para pregar e ele cantar.
Após uma longa viagem chegamos a Macapá, sua capital, onde fomos recepcionados pelo Pr.
Lucifrancis, presidente da convenção estadual.
Participamos da abertura do grande congresso no templo sede e no dia seguinte parti
com o nosso missionário Ércio Miranda para uma pequena comunidade a 480 km, no interior
da selva, chamada Lourenço.
Embora tivéssemos ido de caminhonete, foi uma viagem emocionante, embora cansativa.
A estrada era de chão batido, isso é, de barro, e nela muitos buracos, mas muito buracos
mesmo, que fazia com que a viagem fosse lenta e cansativa.
No caminho a pequena caminhonete do missionário quebrou em um buraco, mas ele, muito
experiente, conseguiu concertá-la.
Acredito que a viagem durou em torno de dez horas.
O mais incrível era que aquela cidade era idêntica a uma cidade que a gente está
acostumado a ver em livros e filmes antigos, a cidade dos garimpeiros, cidade
sem lei, onde o ouro predomina.
E
por incrível que pareça a pessoa mais respeitada naquela região é o missionário
Ércio Miranda.
Para ser mais claro, a maior construção da cidade é a igreja Assembléia de Deus que
ele mesmo construiu.
Ele me levou ao legendário e falado garimpo.
Subimos em uma montanha e fomos até as barrancas onde encontramos homens solitários em
uma busca frenética pelo ouro, homens que abandonaram famílias, filhos, para viverem a
ilusão de enriquecerem, corações vazios e sem Deus.
O mais incrível ainda estaria por acontecer: fomos ao grande garimpo onde centenas de
homens desapareciam dentro de túneis. Na companhia do missionário entramos em uma mina
subterrânea de 20 km de profundidade; descemos em uma camioneta devido a distância.
Calculo que descemos em torno de dois quilômetros e comecei a passar mal, mas não podia
deixar de registrar o trabalho que nosso missionário realizava ali dentro. Foi incrível.

Retornando das minas onde conheci muitos crentes, fruto do trabalho missionário, fizemos
uma outra viagem de mais ou menos seis horas no interior rumo a uma cidade chamada
Oiapoque, que quer dizer casa do índio, última cidade do Brasil, ou a
primeira, como dizem seus moradores.
Chegando lá nos aguardava o Pr. Eliel, pastor da igreja local. Na madrugada seguinte
iríamos visitar quatro tribos indígenas onde os próprios índios eram nossos
missionários.
Em uma pequena lancha subimos o rio: Alexandre, Pr. Eliel, Pr. Edemir, eu e um índio que
conheci no caminho.
Foi uma viagem de seis horas subindo o rio. A paisagem eram aves, animais selvagens,
inclusive muitos jacarés. Chegamos à primeira tribo, onde precisamos de intérpretes
para nos comunicar.
O cacique de tribo era nosso
missionário e intérprete. Foi algo nunca vivido, experiência única.
Visitamos a segunda, terceira e fomos dormir na última aldeia.
Foi uma festa quando chegamos: as crianças corriam e se escondiam de medo e os índios
adultos ficavam de longe observando.
Ao decorrer das horas os índios se reuniram em uma grande igreja construída com muito
sacrifício e com a oferta missionária que o povo de Deus envia para os Gideões.
Eles já estavam preparados, nos esperando para ouvir a palavra de Deus. Pr. Eliel,
responsável por toda aquela área, ministrou o culto e repartiu as oportunidades para
todos da equipe.
Amados leitores, foi uma benção. Fomos traduzidos, Deus trabalhou de forma muito
maravilhosa, tive o privilégio de dormir em uma tribo indígena durante aqueles dois
dias, e tudo era novidade: a nossa cor, as nossas palavras... e depois que eles se
acostumaram conosco não nos deixavam nem um minuto, principalmente as crianças. O
retorno foi cansativo na pequena lancha , mais cada minuto valia a pena. Conhecemos os
rios Kupiri, Manga, Uaça, Urukawa, que eram a rota para as tribos que visitamos,
inclusive a tribo Kumenê, onde trabalham os missionários Manoel Hipólito, João Antonio
Filicio e Gilberto Iaparra. Na manhã seguinte retornamos para Oiapoque onde encontramos
lindas homenagens ao Senhor nosso Deus, como pode-se observar nas fotos. Após uma noite
de descanso retomamos viagem novamente a Lourenço. Um grande congresso estava por
começar. Era até meio de se duvidar que naquele lugar tão distante, distante de tudo,
poderia haver um congresso tão lindo.
Na sexta-feira já pela manhã as caravanas começaram a chegar. Mas caravanas
não são como as nossas, e sim em caminhões conhecidos como pau de arara,
cheios de crentes e não crentes que queriam saber o que era aquilo.
Em um lugar como esse acontece de tudo.
No meio do culto uma irmã pediu que eu orasse pelo seu filho que tinha aproximadamente
dez anos. Quando me dirigi para onde estava o garoto encontrei-o no colo do seu pai,
tremendo muito e chorando, dizendo que todo seu corpo doía. Ele também não podia
caminhar. Quando vi que não era algo simples eu o tomei em meus braços para levá-lo
para fora da igreja. O calor era grande, a igreja abafada.
Algumas pessoas que observaram sugeriram que pelos sintomas seria malária. Aquilo para
mim era novo, pois nunca havia visto algo assim, nunca havia passado por uma experiência
como aquela. Uma criança morrendo de malária em meus braços. Vieram de Macapá alguns
irmãos e pedi se tinham condições de levar o garoto, entendi que era a única
alternativa já que eles voltariam após o culto para Macapá, capital do estado. Uma
observação: Macapá está a 480 km de distância de Lourenço, lugar onde estávamos, e
mesmo que pareça inacreditável era o único lugar onde havia socorro. A distância ainda
não era a maior dificuldade e sim a estrada, que era no meio da selva e toda cheia de
buracos e barro. Ouvi depoimentos de dar arrepios, garimpeiros e missionários que já
haviam passado por mais de quinze malárias. Somente pelo fato de tomar água em alguns
lugares ou picada de alguns insetos levava à morte. Um Brasil que a gente não conhece,
mas que Deus não esquece.
Nesses
dias que estivemos no interior do Amapá mais de cem almas aceitaram a Jesus como salvador
e também foram comemorados os dezesseis anos do projeto Amapá e os dez anos dos
missionário Ércio Miranda e sua esposa trabalhando ali. Foi uma grande festa, uma festa
com muito amor da parte dos membros da igreja e dos moradores do lugar que superlotaram o
templo para homenagear o missionário que é muito amado por todos.
Foi uma linda e emocionante viagem missionária. Ao retornarmos para a capital no caminho
visitamos muitos missionários nossos: Josafá Alberto e esposa, Raimundo Aguinaldo,
Jóice Minéia, Lucivaldo Lima e esposa, e outros.
Exaustos pela longa viagem e pelo calor, mas determinados, ainda fomos ao templo sede em
Santana a convite do Pr. Lucifrancis para celebramos juntos da igreja local a santa ceia
do Senhor. Na mesma madrugada retornaríamos a Camboriú.
Não podemos deixar de mencionar as seguintes pessoas pelo apoio e cobertura a nossa
viagem de quinze dias, com hospedagens, alimentação, camionete e lanchas: Pr. Cesino
Bernardino, presidente dos Gideões Missionários, Dep. Fed. Valdenor, Pr. Lucifrancis,
presidente da convenção IEAD do Amapá, Pr. Edemir, Pr. Ércio, Pr. Raimundo Aguinaldo,
Pr. Eliel, miss. indígena Paulo, os caciques das tribos Cumenê, e a você, é claro,
pelo apoio moral, espiritual e financeiro.

COMENTÁRIO
Andar nas ruas de Lourenço é como se voltássemos mais de 40 anos atrás. Nada é moderno,
tudo é artesanal, a gasolina é colocada de litro tirado de um tambor manualmente.
É uma viagem ao passado. A única coisa que liga os moradores à vida civilizada é a
televisão. Energia elétrica é gerada a motor diesel.
A riqueza é grande, muito ouro, mas não existe investimento, não existe bancos, não
existe correios. Todo ouro que se encontra é trocado por comida, combustível e
prostituição, que é muito grande. Crianças, meninas de nove, dez, onze anos já vivem
uma vida plena de prostituição.
Muitas pessoas doentes.
E o mais triste é que não existe médico, apenas uma pequena farmácia.
A malária é a vilã, e quando ela ataca é tão forte que mata macacos, antas, veados e
outros animais. Os garimpeiros parecem homens sem almas. Não se importam com o perigo, não
temem a morte.
Porém Deus impulsiona homens consagrados para enfrentar tudo isso para anunciar o reino de
Deus. Estamos lá.

Pr. Cesino Bernardino
Projeto Amapá.
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Textos e fotos:
Ivandro Morim |

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